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"Santa régua e casa esquadro"
Este Governo intervém nos negócios. Quando lhe convém.
E isso não é novidade nenhuma. Quando nos convém.
Sim, o Governo interveio na operação Montepio, intercedendo junto da Santa Casa da Misericórdia para que entrasse no capital. Já era mais do que evidente. Agora está demonstrado em ata revelada pelo Expresso. Qual é a novidade? Nenhuma. Qual é o mal?
Bom...
Este Governo começou por rasgar acordos nas concessões nos transportes urbanos. Travou e mudou a privatização da TAP. Chegou à banca e encontrou o sistema sobre uma bomba-relógio silenciosa. Interveio em todos os casos, resolvendo situações de emergência que permaneciam ocultas, mas correndo riscos. Fê-lo António Costa diretamente. Com o apoio total de Marcelo Rebelo de Sousa.
O Banif foi de presente de Natal de última hora para o Santander, caso resolvido, novo dono espanhol estável mas num negócio demasiado bom para quem comprou. O BCP necessitava de capital, entraram os chineses em força, caso resolvido mas com acionistas de reputação questionável, inclusive em Portugal, onde assumiram o desmame da Fidelidade. O BPI estava num impasse acionista, que tombou para o lado espanhol em detrimento do angolano de Isabel dos Santos. O Novo Banco estava em risco de mais ou menos tudo, incluindo de um prejuízo enorme para o Estado, mais um caso resolvido. A Caixa estava exangue de capital, ficou como único grande banco português mas só depois de uma enormidade de capital novo, cinco mil milhões de euros, muito mais do que o banco vale.
Faltava um...
O Montepio é um banco pequeno, estava com problemas graves de capital, opacidade de operações, risco reputacional e rutura entre lideranças do banco e da Mútua. O que fez o Governo? O que fez em todos òs outros bancos: interveio. De mansinho, para não gerar mais uma crise bancária. E, de mansinho, António Costa abriu a porta, Carlos Costa acendeu a luz, Marcelo foi buscar a cadeira e Vieira da Silva sentou-se na sala de reuniões, depois de garantir que um homem da sua confiança se sentava do outro lado da mesa: Edmundo Martinho à frente da Santa Casa da Misericórdia. É para injetar dinheiro no Montepio, se faz favor, e usamos como motivação transformar a instituição num banco social.
O Estado não deve interferir em negócios privados, mas quando a instabilidade num sector pode afetar toda a economia tem obrigação de fazê-lo. Se António Costa não tivesse feito nada, teria desfeito tudo. Só que ninguém dá ponto sem nó e neste nó há laços por esclarecer, naquilo que Assunção Cristas tem chamado “a família socialista”.
Que interesses estão por trás da operação Montepio? Não sabemos mas desconfiamos. Até porque é demasiado dinheiro quer para a Santa Casa quer pelo real valor do Montepio. Ah: e quem ainda manda é Tomás Correia, que aliás pertence a várias famílias. Surpresa? Mas qual surpresa?"
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