A ponte que Cavaco Silva ia inaugurar estava armadilhada.
Só uma força superior o poderia ter livrado do assassinato.

Tudo estava preparado para que fosse Cavaco Silva a presidir à inauguração. Só que, o Primeiro Ministro alterou o percurso da sua viagem pelo distrito de Santarém, e quem a veio a inaugurar foi o Dr. Pereira da Silva, ilustre Governador Civil.
A ponte estava armadilhada
Em Vila Nova da Barquinha os elementos de segurança informaram os seus colegas da caravana ministerial da existência de "elementos hostis" entre o público, tendo o 1º Ministro sido aconselhado a estacionar mesmo defronte ao quartel dos Bombeiros onde se dirigia. O calor gerado pelos apoiantes desfez todas as aparências de agressividade, expressas por alguns dirigentes da União dos Sindicatos do Distrito, que empunhavam uma faixa em que tinham expresso "não ao pacote laboral". Alguns, poucos, cartazes expressavam críticas. A visita decorreu sem sobressaltos...
Um petardo de 1 Kilo de TNT
A Agência Lusa noticiou e a GNR confirmou: na 2ª feira, dia 23 de Maio um petardo de um quilo de TNT foi descoberto e desactivado na linha de caminho de ferro, junto à ponte da Praia do Ribatejo, na margem Sul.
Um professor descobriu a bomba
A descoberta da bomba foi ocasional. Um professor e um grupo de alunos do 8º ano, do curso unificado da Escola C+S da Praia do Ribatejo, fizeram uma visita de estudo, para reconhecimento do meio. Foram ver a ponte nova. É a inserção da Escola no meio. E, ao lado, na ponte ferroviária, descobrem uma carga explosiva. Pelo que se deduz, o professour revelou óptimas capacidades de domínio. Sabia claramente do assunto. À volta, era evidente, que outras cargas, outros explosivos, haviam sido retirados. Alertou os alunos para os perigos e pô-los a salvo. Desmontou o explosivo, meteu-o em saco e, já em segurança, regressaram à Escola sem perigo.
Gnr Aceita bomba - Entrega bomba - Recolhe bomba
A bomba tinha de ter um destino, pelo que o professor em casa, telefone à GNR de Constância, que vem e, leva a bomba. Mas a GNR de Constância regressa com a bomba; aquilo não era com eles, era com os colegas da Barquinha. De novo a bomba fica na Escola, num saco, nas mãos do professor, esperando destino... Veio de novo a GNR, desta vez a GNR da Barquinha. Que sim! Que a bomba era com eles. E, levam-na. Finalmente.
Atentado frustado a Cavaco Silva?
Escola e meio ficaram preplexos com o acontecimento. Jovens e adultos interrogam-se, sem encontrar respostas: que faria uma carga explosiva com aquelas dimensões às claras, em lugar tão assinalável?
Resto de um atentado a Cavaco Silva?
É deveras estranho. A GNR de Vila Nova da Barquinha ficou com a bomba, à espera da conclusão de um inquérito.
Haverá explicação para o insólito
Especularam os jornais sobre o acontecimento, tecendo conjecturas e lavrando hipóteses. Quisemos ir ao fundo da questão e deparámo-nos com o insólito. O Senhor Governador Civil esclarece não ter havido qualquer acto anormal. O quilo de trotil que apareceu, foi deixado pela Escola Prática de Engenharia (aquartelamento militar com sede na zona) em exercício efectuado, tendo sido detectado desde início esse descuido.
Comentário para que?!...
Uma bomba, solitária desprezada numa ponte ferroviária, agitou fortemente uma pacata aldeia. A mim, concretamente, recordou-me outras bombas abandonadas em campo que têm ceifado vidas. A zona não é virgem nesses acontecimentos.
Cavaco Silva é alvo?
Todos somos alvo, quando se brinca com o fogo.
Afinal, como é?!...
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